sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

As nuvens são cinzas,
ou cinza é a minha visão?

É tanta, tanta dor
A fumaça alheia
na minha cara
E o mofo que crias no meu coração

Febre
Sob meu leito, uma cruz

É tanta, tanta dor
O bafo de vinho alheio
na minha cara
E o mofo que crias no meu coração

As nuvens são cinza,
ou cinza é a minha visão?

domingo, 18 de janeiro de 2009

Que nestas palavras não se aperceba nada meu, ou teu.

Esta noite estive lendo as tuas cartas, e pensei que não haveria sentido em lhe escrever novamente. Traçar meus sentimentos como um desabafo, talvez, afinal, todos nós sabemos, esse é o meu divã.

Tão velhas as cartas, que encontrei ali um outro eu, e um outro tu. Acorrentados e aprisionados em pequenos relicários em prateleiras quase imagináveis, gritando por socorro do esquecimento, eus passados imortais enquanto existirem no papel.

E assim, observando mais distante nada percebo, sino que la distancia. ¿Lo qué hay entre nosotras?

È que o tempo passa... e como correntes marítimas leva tudo embora. Não há mais cartas a serem escritas, nem tardes mornas. Lembro dos planos, dos mundos que juntas criávamos, porque quem tem o dom de criar um personagem, é deus. E juntas éramos deusas.

O ato de fingir, mentir e jurar meias verdades sobre o papel era o laço que nos unia.

Não minto ao dizer que sinto saudades, um aperto quando vejo tua letra, quando percebo que não sei mais como estar perto de ti. Sinto a ausência das conversas de horas e horas, ainda que vazias de sentido real. Do ciúmes do meu eu-lírico, quase rival do teu. Da competição saudável pela maior morbidez. Meus personagens querendo sentir mais dor e fome do que os teus, e os teus com espadas nas mãos para aos meus matar... Aonde foram?

Esta não será mais uma carta. Eu nem usei caneta, não há rascunhos e riscos.

Sem data, nem destinatário.

Apenas mais uma saudade expressa e que não será curada.

Nunca.

E grito aos filhos, e aos filhos dos meus filhos que ninguém entenda a esta escritora, que um dia poderá ser diagnosticada como esquizofrênica, a não ser tu, querida amiga.

(Dedicada a Kamila Ail da Costa, aquela que leu meus primeiros escritos, e que me entretinha com seus contos. Paz como a dos cemitérios.)

terça-feira, 8 de julho de 2008

Agora que já saiu no livro, eu posso postar...



És a perfeição encarnada
em carnes quentes

Não cabes em meu peito
Não habitas meus sonhos
nem meus pensamentos

O que preenches
são outros vazios

sexta-feira, 4 de julho de 2008

Violarei-te aos poucos
Para que não te machuques
Imaculada página

Serei breve e suave
Como o entardecer
Para que não tu fujas
Para que não te escondas
Amada poesia, não sumas
Nesta folha que é
Quase branca





Há, não é supimpa, mas que novo
mas quase inédito... tou com muita saudade de escrever e de atualizar aqui...
podem me cobrar uma vez por samana, eu prometo
=D
quero voltar a ser Deusa...digo, escritora
;)

domingo, 27 de abril de 2008

"Cito e recito autores mortos
O Amor é mais poético
publicado no século passado"




...extratos de mim mesma

segunda-feira, 14 de abril de 2008

Tomo por meus alheios sentimentos
ao escrever sobre aquilo que não sinto
Deslizo sobre a pele de desconhecidos
para roubar-lhes assim o âmago
e depois vomitar suas mágoas
nalgum papel

Tomo por minhas alheias histórias
de seres que não conheci em vida
para que falem por meus dedos
o que não podem dizer com sons

Tomo por minhas alheias palavras
ao dizer que derramaria meu sangue por ti
quando preferiria o teu em taça!




Completamente prosaico...
Mas um desconto, ele deve ser de 2005 pelo menos, eu devia ter uns 16 aninhos...
só pra atualizar, e lembrar os velhos tempos
e como as criaturas das trevas me fascinavam, e ainda fascinam
apesar de não conseguir mais escrever sobre vampiros

sexta-feira, 21 de março de 2008

Bebe amor!
Bebe dos lábios meus
O suave veneno,
Que é teu por direito.

Bebe amor!
Bebe antes que se esfrie
Aquilo que é só teu!
Anda rápido porque
a noite é menor que parece...

Bebe amor!
Bebe que a tua boca
Junto a minha boca
Faz gemer o céu.