sábado, 21 de março de 2009
O vento que faz lacrimejar meus olhos sempre busca no meu âmago um choro, e dependendo da situação eu exteriorizo, ou não. Eu digo, eu mostro, ou eu engulo. A seco. Como os comprimidos pra dor, que tomo ao final da noite, sem ter disposição para buscar um copo d’água, muito menos alguém que os busque.
Cobertas, travesseiros, tudo parece ter um ar doente. E realmente, é assim que me sinto. O frio não vem de fora. E mesmo quando eu penso naqueles que amo, o frio ainda me persegue. E não há pra onde fugir. Exceto para baixo dos edredons múltiplos, como em útero que não dará nunca a luz. Um útero estéril de uma cria incapaz de viver. Sem pai, nem mãe.
A espera de um Morpheu, que traga, além de sono e sonho, Morphina.
sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009
domingo, 18 de janeiro de 2009
Que nestas palavras não se aperceba nada meu, ou teu.
Esta noite estive lendo as tuas cartas, e pensei que não haveria sentido em lhe escrever novamente. Traçar meus sentimentos como um desabafo, talvez, afinal, todos nós sabemos, esse é o meu divã.
Tão velhas as cartas, que encontrei ali um outro eu, e um outro tu. Acorrentados e aprisionados em pequenos relicários em prateleiras quase imagináveis, gritando por socorro do esquecimento, eus passados imortais enquanto existirem no papel.
E assim, observando mais distante nada percebo, sino que la distancia. ¿Lo qué hay entre nosotras?
È que o tempo passa... e como correntes marítimas leva tudo embora. Não há mais cartas a serem escritas, nem tardes mornas. Lembro dos planos, dos mundos que juntas criávamos, porque quem tem o dom de criar um personagem, é deus. E juntas éramos deusas.
O ato de fingir, mentir e jurar meias verdades sobre o papel era o laço que nos unia.
Não minto ao dizer que sinto saudades, um aperto quando vejo tua letra, quando percebo que não sei mais como estar perto de ti. Sinto a ausência das conversas de horas e horas, ainda que vazias de sentido real. Do ciúmes do meu eu-lírico, quase rival do teu. Da competição saudável pela maior morbidez. Meus personagens querendo sentir mais dor e fome do que os teus, e os teus com espadas nas mãos para aos meus matar... Aonde foram?
Esta não será mais uma carta. Eu nem usei caneta, não há rascunhos e riscos.
Sem data, nem destinatário.
Apenas mais uma saudade expressa e que não será curada.
Nunca.
E grito aos filhos, e aos filhos dos meus filhos que ninguém entenda a esta escritora, que um dia poderá ser diagnosticada como esquizofrênica, a não ser tu, querida amiga.
(Dedicada a Kamila Ail da Costa, aquela que leu meus primeiros escritos, e que me entretinha com seus contos. Paz como a dos cemitérios.)
terça-feira, 8 de julho de 2008
sexta-feira, 4 de julho de 2008
Violarei-te aos poucos
Para que não te machuques
Imaculada página
Serei breve e suave
Como o entardecer
Para que não tu fujas
Para que não te escondas
Amada poesia, não sumas
Nesta folha que é
Quase branca
Há, não é supimpa, mas que novo
mas quase inédito... tou com muita saudade de escrever e de atualizar aqui...
podem me cobrar uma vez por samana, eu prometo
=D
quero voltar a ser Deusa...digo, escritora
;)
domingo, 27 de abril de 2008
segunda-feira, 14 de abril de 2008
ao escrever sobre aquilo que não sinto
Deslizo sobre a pele de desconhecidos
para roubar-lhes assim o âmago
e depois vomitar suas mágoas
nalgum papel
Tomo por minhas alheias histórias
de seres que não conheci em vida
para que falem por meus dedos
o que não podem dizer com sons
Tomo por minhas alheias palavras
ao dizer que derramaria meu sangue por ti
quando preferiria o teu em taça!
Completamente prosaico...
Mas um desconto, ele deve ser de 2005 pelo menos, eu devia ter uns 16 aninhos...
só pra atualizar, e lembrar os velhos tempos
e como as criaturas das trevas me fascinavam, e ainda fascinam
apesar de não conseguir mais escrever sobre vampiros