segunda-feira, 20 de abril de 2009

Bebi mais um gole daquela água. Quente e densa. Como uma dose de algum veneno. Ânsia, ódio. Então era assim. Fácil assim, o fim.
Em seus olhos eu vi a mais perfeita descrição da dor... a dor que saia do meu coração flechava-os, de modo que lacrimejavam como seringueiras. Passei a mão no cabelo, e, fingindo indiferença, bebi outro gole. Ofereci o líquido.
— Bem, isso é tudo que eu tenho pra te dizer.
Silêncio. Teria preferido brigas, questionamentos, qualquer coisa. Nunca aquele choro contido.
— Essa semana eu busco minhas coisas.
E sai, deixando o peso de mil homens mortos pra trás.



rascunho. essa personagem nem sabe o que quer da vida ainda. nem eu.

7 comentários:

Pequena disse...

Bem bom.


Não sei o que dizer. Só sei que gostei muito. Foi bom atualizar (:

Kamila... disse...

ah outra impressão: o que não foi embora, ficou imóvel com os cotovelos em cima de uma mesa de pedra, numa cozinha, dentro de uma casa vazia. se afogando em dor por dentro.
tão sozinho que conseguia ouvir o barulho do sol, que ainda nem tinha nascido no horizonte.
^^
eu quero ser essa tua personagem fatal, quando eu crescer.
me escreve Cris??
;*
shausaushasu

Beto Canales disse...

bom começo;

Ricardo disse...

não tem motivo pra ser chamado de inacabado, hein. excelente, moça. parabéns =]

Daniel disse...

ja tinha lido! Vamo vamo, trata de escrever essa pragmatica! :P

Daniel Rocha disse...

Sabe que ficou um trocadilho interessante (embora imagino que essa não tenha sido a tua intenção) dos mil homens mortos atrás dela, que podem ser homens assassinados pela protagonista, ou mil relacionamentos despedaçados da vida pregressa dela.

Legal, né? :)

Continua escrevendo. Segue sempre.

Frei Tomé disse...

Eu sei de onde poderia ter vindo esta inspiração. Rimbaud. Você tem lido Rimbaud? Se sim, acho que está lendo o que deve. Todos devem ler Rimbaud. Todos devem passar, nunca ilesos, pela experiência do Inferno de Rimbaud.

"Bebi um belo gole de veneno. Seja três vezes amaldiçoada...".

Ao menos me lembrou Rimbaud...