Vou te amar
enquanto houver música
entre o corpo meu
e o corpo teu
que é meu também
Talvez não compreenderás
e isso também não importa
Silencias sem esquecer
do que te prometi
Dorme tranqüilo
porque eu te amo,
mas sem vocativos
domingo, 3 de fevereiro de 2008
domingo, 13 de janeiro de 2008
Podes me ouvir?
Poderia jurar
Podes me ouvir??
Entre as árvores, talvez
pelos corredores
[mentais]
Podes me ouvir???
Deus, onde estará?
Apareça, criatura
Dê-me tua face
Faz clara a tua voz!
Podes me ouvir?
Ah, será o vinho
ou haverá realmente
alguém a ouvir meus lamentos?
Por Cristo, eu seria capaz
de vender minh’alma
para vê-lo uma só vez
Tocar, talvez, sua branca fronte
Que deleite não seria,
Poder finalmente mirá-lo?
Podes me ouvir?
Sim!Sim!Sim!
Mas calá-te maléfica voz
Ou então não serei mais eu
Não serei capaz de controlar-me
Podes me ouvir?
...
Poderia jurar
Podes me ouvir??
Entre as árvores, talvez
pelos corredores
[mentais]
Podes me ouvir???
Deus, onde estará?
Apareça, criatura
Dê-me tua face
Faz clara a tua voz!
Podes me ouvir?
Ah, será o vinho
ou haverá realmente
alguém a ouvir meus lamentos?
Por Cristo, eu seria capaz
de vender minh’alma
para vê-lo uma só vez
Tocar, talvez, sua branca fronte
Que deleite não seria,
Poder finalmente mirá-lo?
Podes me ouvir?
Sim!Sim!Sim!
Mas calá-te maléfica voz
Ou então não serei mais eu
Não serei capaz de controlar-me
Podes me ouvir?
...
sábado, 5 de janeiro de 2008
A case of you
Ela pintava o olho esquerdo quando a irmã trocou a estação de rádio. Uma canção de acordes doloridos tocava enquanto uma voz suave cantava. Por um segundo, apenas um, ela desviou o olhar do espelho em direção ao som, imaginando que, talvez, fosse ele. Sempre ele com aqueles cds com velhas canções de woodstock, mas não. Sentiu um leve tremor, entretanto nada em sua essência doeu, nada seria capaz de lhe aflorar qualquer mágoa esquecida, simplesmente sentiu algo movendo-se, quase invisível, impossível de fazer reviver qualquer sentimento.
Ela era um lago, um lago silencioso e tranqüilo, a canção, a folha morta; caíra, sobre sua superfície, agitara-a de leve, mas logo afundaria em suas profundezas desconhecidas, de onde jamais sairia.
Assim ela definira seu coração, um lago cheio de folhas. Algumas dessas folhas flutuaram por longos períodos antes de sumir, outras tão vazias de significado que ela nem saberia dizer se lhe causaram qualquer movimento interior ao submergir.
A canção já estava no fim, não durou mais que vinte segundos, então ela foi até o armário onde pegou uma sandália baixa e seu anel favorito.
Despediu-se da irmã com um beijo na testa e um tímido ‘tchau’, enquanto colocava a mochila nas costas.
Fechar a portas trás de si foi o mais difícil, mal sabia para onde estava indo, mas sabia que deveria ir, independente de qualquer razão.
E foi.
“oh, baby, baby
todas noites eu tenho sonhos estranhos
e você está em quase todos eles, querido.”
Ela era um lago, um lago silencioso e tranqüilo, a canção, a folha morta; caíra, sobre sua superfície, agitara-a de leve, mas logo afundaria em suas profundezas desconhecidas, de onde jamais sairia.
Assim ela definira seu coração, um lago cheio de folhas. Algumas dessas folhas flutuaram por longos períodos antes de sumir, outras tão vazias de significado que ela nem saberia dizer se lhe causaram qualquer movimento interior ao submergir.
A canção já estava no fim, não durou mais que vinte segundos, então ela foi até o armário onde pegou uma sandália baixa e seu anel favorito.
Despediu-se da irmã com um beijo na testa e um tímido ‘tchau’, enquanto colocava a mochila nas costas.
Fechar a portas trás de si foi o mais difícil, mal sabia para onde estava indo, mas sabia que deveria ir, independente de qualquer razão.
E foi.
“oh, baby, baby
todas noites eu tenho sonhos estranhos
e você está em quase todos eles, querido.”
terça-feira, 25 de dezembro de 2007
Voz silenciada
No ângulo inverso ao habitual, notavam-se pétalas de rosa. Sob a água morna ela via o teto branco manchado por bolas vermelhas, as pontas dos seus cabelos subindo de encontro a superfície e o som que vinha parecia ondas lentas. A cada segundo ressurgia a imagem do relicário alheio. Testava quanto tempo era possível ficar embaixo da água; ninguém jamais conseguiu se suicidar afogado numa banheira.
Foi por acaso que encontrara aquela foto venenosa. Até que ponto o amor é saudável? Ele era seu, e também daquela outra, e isso nunca fora possível. “Meu deus, o que eu faço? Reclamo meus direitos, digo que não quero mais, pago na mesma moeda? Meu deus, o que eu faço?” Na mesma peça de roupa que encontrara a foto, achou o papel velho, gasto tanto pular de bolso em bolso, prova mais que verdadeira: “Raquel – 9458-3146”. O amor dormia, seu celular inocente repousava sobre o criado mudo. Pegou-o, foi até a sala, e trêmula discou. A voz doce-alegre-sensual do outro lado dizendo “meu amor, meu amor, você esta hora?alô?alô?alô???”, interrompeu a ligação rápido. Não esperava que o celular tocasse em retorno, afinal, Raquel deveria saber que esta hora ele estaria em casa com a esposa.
Então chorou, sentou-se e chorou mais, e com mais dor. Não de raiva ou ódio, chorou por simples desapontamento. Seis dias mais cedo quando ele encontrou o resultado do teste de gravidez, jurou a esposa que a amava, que ela era a única, e que sempre seria. “Há quanto tempo ele dorme com essa tal de Raquel? Faz quanto tempo? Eles se amam ou é só sexo? O que eu fui pra ele todo esse tempo? Uma palhaça apaixonada? Ele fingiu? Meu deus, como eu fui idiota!”
Ela dormiu apreensiva naquela noite maldita, e na manhã seguinte não viu quando ele saiu pra trabalhar.
Subiu o pescoço e respirou. 18:47, logo ele chegaria. Quatro minutos depois o labrador latiu faceiro no portão. O barulho das chaves movimentando-se enquanto ele abria a porta, o cão arranhando-a em seguida para entrar, ele gritando oi para chamá-la, o cheiro do jantar que ele trouxera, tudo isso pareceu tão distante e irreal que ela não foi capaz de mover nada em seu corpo.
Ele abre a porta do banheiro, sorri para ela do mundo exterior, e ela não pode evitar sorrir de volta do seu mundo submerso. Então, emerge sombria, ele a beija e ela retribui enquanto sente seu coração esmigalhando-se.
- Trouxe o jantar.
- Tá. Já vou.
Outro beijo, lento e molhado, a mão pressionando sua nuca, milhares de formigas picando sua língua e uma víbora enroscando-se no seu pescoço pra quase quebrá-lo. – Não demora.
Treze minutos depois ela vestiu o roupão e jantou com ele. Quase não falou durante o jantar. Ele perguntava insistente o que ela tinha e ela só sabia dizer ‘nada, nada, eu não tenho nada’.
- Tu não tem nada pra me dizer?
- Não. Agora, tu pode me dizer o que tu tem?
- Eu não tenho nada, achei que tu queria conversar comigo.
- Eu sempre quero, tu sabe. – Sorriu, mas não obteve nenhuma retribuição.
Ela saiu correndo e vomitou até que não houvesse mais a sair de seu estômago, senão uma água amarelada. Escovou os dentes e foi deitar-se meio zonza. Ouviu o barulho do chuveiro, e em seguida ele estava a seu lado.
- Me desculpa.
- Te desculpar por quê?
- Por qualquer coisa. Parece que tu não me ama mais, o que eu te fiz de errado?
- Não sei. O que tu fez?
- Eu não sei...
Virou-se para o lado oposto e deitou a cabeça sobre o travesseiro. Sentiu que ele fez o mesmo, uma lágrima fugiu de seus olhos. Limpou-a resolvida. Passou a mão sobre aquele ombro nu, beijou a orelha dele e disse baixinho que sempre iria amá-lo. Ele beijou as mãos dela, beijou sua boca, seu pescoço, suas bochechas e fizeram amor.
Adormeceram.
No meio da noite ela acordou. Arrumou as malas e escreveu no verso do papel com o número de Raquel: “Meu amor, nunca vou te esquecer. Mas não posso te perdoar.”
Foi por acaso que encontrara aquela foto venenosa. Até que ponto o amor é saudável? Ele era seu, e também daquela outra, e isso nunca fora possível. “Meu deus, o que eu faço? Reclamo meus direitos, digo que não quero mais, pago na mesma moeda? Meu deus, o que eu faço?” Na mesma peça de roupa que encontrara a foto, achou o papel velho, gasto tanto pular de bolso em bolso, prova mais que verdadeira: “Raquel – 9458-3146”. O amor dormia, seu celular inocente repousava sobre o criado mudo. Pegou-o, foi até a sala, e trêmula discou. A voz doce-alegre-sensual do outro lado dizendo “meu amor, meu amor, você esta hora?alô?alô?alô???”, interrompeu a ligação rápido. Não esperava que o celular tocasse em retorno, afinal, Raquel deveria saber que esta hora ele estaria em casa com a esposa.
Então chorou, sentou-se e chorou mais, e com mais dor. Não de raiva ou ódio, chorou por simples desapontamento. Seis dias mais cedo quando ele encontrou o resultado do teste de gravidez, jurou a esposa que a amava, que ela era a única, e que sempre seria. “Há quanto tempo ele dorme com essa tal de Raquel? Faz quanto tempo? Eles se amam ou é só sexo? O que eu fui pra ele todo esse tempo? Uma palhaça apaixonada? Ele fingiu? Meu deus, como eu fui idiota!”
Ela dormiu apreensiva naquela noite maldita, e na manhã seguinte não viu quando ele saiu pra trabalhar.
Subiu o pescoço e respirou. 18:47, logo ele chegaria. Quatro minutos depois o labrador latiu faceiro no portão. O barulho das chaves movimentando-se enquanto ele abria a porta, o cão arranhando-a em seguida para entrar, ele gritando oi para chamá-la, o cheiro do jantar que ele trouxera, tudo isso pareceu tão distante e irreal que ela não foi capaz de mover nada em seu corpo.
Ele abre a porta do banheiro, sorri para ela do mundo exterior, e ela não pode evitar sorrir de volta do seu mundo submerso. Então, emerge sombria, ele a beija e ela retribui enquanto sente seu coração esmigalhando-se.
- Trouxe o jantar.
- Tá. Já vou.
Outro beijo, lento e molhado, a mão pressionando sua nuca, milhares de formigas picando sua língua e uma víbora enroscando-se no seu pescoço pra quase quebrá-lo. – Não demora.
Treze minutos depois ela vestiu o roupão e jantou com ele. Quase não falou durante o jantar. Ele perguntava insistente o que ela tinha e ela só sabia dizer ‘nada, nada, eu não tenho nada’.
- Tu não tem nada pra me dizer?
- Não. Agora, tu pode me dizer o que tu tem?
- Eu não tenho nada, achei que tu queria conversar comigo.
- Eu sempre quero, tu sabe. – Sorriu, mas não obteve nenhuma retribuição.
Ela saiu correndo e vomitou até que não houvesse mais a sair de seu estômago, senão uma água amarelada. Escovou os dentes e foi deitar-se meio zonza. Ouviu o barulho do chuveiro, e em seguida ele estava a seu lado.
- Me desculpa.
- Te desculpar por quê?
- Por qualquer coisa. Parece que tu não me ama mais, o que eu te fiz de errado?
- Não sei. O que tu fez?
- Eu não sei...
Virou-se para o lado oposto e deitou a cabeça sobre o travesseiro. Sentiu que ele fez o mesmo, uma lágrima fugiu de seus olhos. Limpou-a resolvida. Passou a mão sobre aquele ombro nu, beijou a orelha dele e disse baixinho que sempre iria amá-lo. Ele beijou as mãos dela, beijou sua boca, seu pescoço, suas bochechas e fizeram amor.
Adormeceram.
No meio da noite ela acordou. Arrumou as malas e escreveu no verso do papel com o número de Raquel: “Meu amor, nunca vou te esquecer. Mas não posso te perdoar.”
domingo, 23 de dezembro de 2007
Túmulo Solar
Na manhã mais funesta
Quando o sol negro nascer
Quimeras irei colher
Quando a lua for astro mor
Será então o apogeu
Do novo sistema
Dos planetas inalteráveis
O sol eu sepultei
Sob teus pés, meu amor
Para que um dia tu possas
Flores fosforescentes colher
domingo, 18 de novembro de 2007
Savana sonhada
No corpo quase podre
os primeiros vermes germinavam
No céu abutres sobrevoavam
O sol quente latejava a cabeça
suas mãos sangravam
e não sentia as pernas
Naquela visão infernal
o cheiro pútrido cortava-lhe
o nariz e o cérebro
Não sabia de que lado
ficava o norte
ou se deveria ir ao sul
Uma manada de elefantes
surge à esquerda
Um leão caminha em sua direção
Refletiu-se naqueles olhos
Caiu de joelhos e chorou
As lágrimas formaram uma poça
Um outro alguém exato
lhe estendeu a mão
que foi picada por uma peçonha
A tempestade caiu num grito de dor
... adormeceu
e acordou em terras estranhas
(dejavu?oui,oui... é velho sim, mas em formato novo!
um viva a arte de recortar!
um viva ao meu eu-lírico!
um viva ao seu eu-lírico!
um brinde aos corpos que ainda estão quentes...)
os primeiros vermes germinavam
No céu abutres sobrevoavam
O sol quente latejava a cabeça
suas mãos sangravam
e não sentia as pernas
Naquela visão infernal
o cheiro pútrido cortava-lhe
o nariz e o cérebro
Não sabia de que lado
ficava o norte
ou se deveria ir ao sul
Uma manada de elefantes
surge à esquerda
Um leão caminha em sua direção
Refletiu-se naqueles olhos
Caiu de joelhos e chorou
As lágrimas formaram uma poça
Um outro alguém exato
lhe estendeu a mão
que foi picada por uma peçonha
A tempestade caiu num grito de dor
... adormeceu
e acordou em terras estranhas
(dejavu?oui,oui... é velho sim, mas em formato novo!
um viva a arte de recortar!
um viva ao meu eu-lírico!
um viva ao seu eu-lírico!
um brinde aos corpos que ainda estão quentes...)
sexta-feira, 2 de novembro de 2007
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